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Index Librorum Prohibitorum

Olá, tudo bem?

Em 9 de abril de 1966 a Igreja Católica aboliu, finalmente, o Index Librorum Prohibitorum.

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Discutida no Concílio de Latrão em 1515 e aprovada pelo Concílio de Trento em 1545, uma lista com as obras que “todo bom católico” não deveria ler foi editada em 1557, e publicada pelo Papa Paulo IV em 1559 com o nome de Index Librorum Prohibitorum. Essa primeira lista continha nada menos que 550 obras. A principal motivação para tal censura foi o avanço do Protestantismo, ficando a cargo do Santo Ofício da Inquisição a supervisão do Index.

Logo foi criada a Sagrada Congregação do Index, uma comissão encarregada de avaliar os livros denunciados em Roma. Além de proibir autores, a comissão sugeria correções para certas obras, que poderiam ser publicadas se ajustadas.

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O funcionamento de controle do Index era peculiar:

A Igreja adotou uma forma de censura prévia: o Imprimatur (do latim, “deixem ser impresso”). Quem quisesse ter o aval da instituição podia submeter seus livros ao bispo, que recomendava (ou não) a publicação, na íntegra ou com alterações. Na primeira página ou na capa, vinha o selo de Imprimatur.

Até mesmo as obras religiosas precisavam passar pelo crivo da Santa Sé: o Direito Canônico recomendava que os trabalhos sobre a Sagrada Escritura, Teologia, Direito Canônico, História da Igreja ou quaisquer escritos que diziam respeito especialmente à religião ou aos bons costumes fossem submetidos ao juízo do Ordinário local. Se essa pessoa desse o nihil obstat (“nada impede”) os subalternos do Ordinário local forneciam o Imprimatur.

Existia também a possibilidade de o autor reescrever toda a obra, omitindo alguns ou todos os fatos de acordo com os ideais da Igreja. No entanto, era proibido publicar qualquer livro sem a revisão e permissão oficial do papa.

Como a lista do Index passava pela administração da Inquisição um caso particular exemplifica muito bem como funcionava a censura: alguns processos admitiam direito de defesa e outros corriam de forma sumária. Naqueles onde cabia defesa, uma retratação pública, eventualmente, poderia evitar penas mais duras. Assim, Galileu escapou da morte após recusar sua teoria do heliocentrismo.

Index-librorum-prohibited-Books gabriel moura 2017 blog loucuras de julia igreja catolica 03Julgamento de Galileu Galilei

O Index era uma regra aceita como um guia para o censor oficial da Igreja, que julgava se a obra tinha algo fora dos critérios católicos: qualquer deficiência moral, sexualidade explícita, incorreção política, superstição, paixões carnais, heresias. A obra, além de proibida, era muitas vezes queimada. 

Com o fim da Inquisição o Index entrou em decadência, sem nunca perder a força. Tanto que a última lista editada, em 1948, possuía 4 mil obras! Entre os autores mais famosos que já estiveram no Índice constam:  Galileu, Copérnico, Maquiavel, Erasmo de Roterdã, Rousseau, Montesquieu, Kant, Nietzsche, Voltaire, Vitor Hugo, Stendhal e Jean-Paul Sartre. Há 51 anos ficamos livre dessa censura explícita.

Em 9 de abril de 1966 o Papa Paulo VI aboliu o Index. Porém, ainda estamos sob uma censura velada, considerando que algumas obras ainda podem receber uma admonitum, advertência. Recentemente O Código da Vinci, por criticar o Opus Dei; e Harry Potter, por incitar os jovens à bruxaria (!), receberam esse “selo”.

Vale lembrar que esse tipo de censura não é uma peculiaridade apenas da Igreja Católica, diversas outras religiões também proíbem a leitura de certas obras. Independente de qualquer esfera: religiosa, social ou cultural, a censura é sempre ruim (para não dizer uma merda!).

Até a próxima!

selo-gabriel-moura

Fontes: Opera Mundi; Wikipedia

4 comentários em “Index Librorum Prohibitorum

  1. Nunca vou conseguir compreender tanto poder nas mãos de pessoas tão medievais. Óbvio que existe interesse por parte desses senhores, mas me espanto em perceber como uma simples religião de pescadores se tornou e se ‘monstro sagrado’.
    Enfim, parece que a gente anda em círculo porque agora temos outra religião com a mesma vontade, dominar as pessoas e impor sua filosofia. E não dá para dizer que não vimos esse filme antes porque na verdade é apenas um replay do que houve num passado nem tão distante assim.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi Gabriel! Concordo com você, censura nunca é uma coisa boa, as pessoas devem ser livres de quaisquer amarras, principalmente no campo das Ciências. Quanta evolução tivemos após esses 50 anos de libertação literária! Quanta coisa mudou desde que igreja e política se separaram. É importante repensarmos sempre o modo de vida de ontem e de hoje e ver o que realmente ainda cabe nesse nosso mundo, o que é puritanismo e o que é realmente decência.
    Super beijo!

    Curtido por 1 pessoa

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