Cultura · Gabriel Moura · polemica · Reflexão

Racismo estrutural

Olá, tudo bem?

Recentemente tivemos uma grande polêmica sobre o racismo, novamente…

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Há algumas semanas, o “youtuber” Júlio Cocielo postou em sua conta particular no Twitter: Mbappé conseguiria fazer uns arrastão top na praia hein (vale lembrar que esse post recebeu mais de 5 mil curtidas). E recebeu uma verdadeira enxurrada de críticas sobre o possível racismo que estariam nas suas palavras, ao relacionar a velocidade e a cor do jogador francês com a prática de arrastão nas praias brasileiras. Diversas marcas que patrocinavam Cocielo se desvincularam do jovem, como Submarino, Coca Cola, Itaú e Adidas.

Além disso, Cocielo teve o seu histórico das redes sociais devassado. Cocielo se defendeu dizendo que suas palavras foram interpretadas de muitas formas e se desculpou por outras postagens, como essa:

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Mas o que chamou a atenção foi a repercussão do caso. Muitos dizem que a postagem não tem cunho racista e que assim foi interpretado por quem vê racismo em tudo. Outros defenderam que Cocielo se referiu apenas a velocidade do jogador e não à sua cor. Mas a maior parte de quem acompanhou o caso viu sim um comentário racista e aproveitou para hostilizar o “youtuber” nas redes sociais. Chamando-o de “racista imundo” e sugerindo a sua prisão, diversas pessoas debateram sobre o caso.

Mas debater na internet não é o mesmo que um cachorro que late atrás do portão?

Muito mais profundo do que esse comentário preconceituoso (sim, eu acho que o comentário foi preconceituoso), existe algo muito mais denso e profundo do que esse “tuíte”. O que há na sociedade brasileira é um racismo estrutural que, vez por outra, se mostra na superfície das redes sociais. A verbalização do preconceito de Cocielo é apenas a ponta do iceberg de algo muito maior que está dentro dele, algo historicamente construído e socialmente alimentado: o preconceito contra minorias (negros, homossexuais, mulheres…). Minorias nesse caso não está relacionado à quantidade, mas ao deslocamento social que essa parcela populacional sofre.

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No caso específico dessa polêmica, os negros são relacionados ao crime não apenas por uma ordem estatística, mas por uma ordem social enraizada desde os tempos imperiais. Quem não conhece em sua família uma pessoa que não goste de negro ou de homossexual? Na minha família eu conheço alguns, principalmente os mais velhos. Mas não é por isso que vou perpetuar esse absurdo que se chama preconceito e passar para as minhas filhas, que são brancas de olhos azuis, que elas são melhores ou superiores a alguém.

Existe um limite para tudo, e Cocielo passou dele. O que vejo de pior nessa história é a geração de jovens, na maioria brancos, achando que isso não passa de mimimi. Vale lembrar que Cocielo apagou cerca de 50 mil tuítes que ele julgou que iam na mesma linha do último. 50 mil tuítes que muitos jovens curtiram, riram, zoaram de seus amigos negros na escola, etc… Isso é muito grave, muito mais do que podemos pensar.

Sinceramente não consigo pensar em outra frase, para definir o país, do que as palavras de Hamlet: “Há algo de podre nesse reino”.

Até a próxima!

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9 comentários em “Racismo estrutural

  1. Extremamente preocupante, são essas idéias que ajudam a elevar os problemas. E vale lembrar que o caso tomou ainda proporções maiores, com comentários de outras personalidades que também já fizeram esse tipo de comentários no passado.

    As redes sociais apenas estão expondo os pensamentos preconceituosos que estão guardados durante muitas gerações.

    Parabéns pelo Gabriel.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Outro dia, eu estava numa praia italiana e estava uma senhora de pele branca com uma criança de pele negra. Eu olhei por muito tempo para a criança. Eu queria entender o pq do racismo, o q é q faz uma pessoa de pele branca se achar melhor do que a de pele negra. Eu não consigo entender.
    Só q eu estava na Itália.
    É inacreditável ver um Brasil racista, homofóbico,…

    Curtido por 2 pessoas

  3. Para que tantos ‘ismos’ em nossas relações? Sempre desconfio dos exageros do capital (ismo), do social (ismo), do raci (ismo), do femin (ismo), do mach (ismo) e, de tantos outros…talvez, porque sou de Minas e mineiro é sempre ‘desconfiado’…mas, que algo não cheira bem no reino…não resta dúvidas…

    Curtido por 1 pessoa

  4. Se me permite, existe três coisas nesse caso que me deixam extremamente descrente do ser humano:
    1) O racismo velado – Cocielo usando de piada pra expor seu racismo
    2) O perdão e a humanização que tem cor – por ser branco e rico, vem os defensores com o “hoje é tudo mimimi”
    3) O tipo de conteúdo que os jovens estão ingerindo atualmente – péssima influência. 10 mil seguidores.
    Enfim, como tu mesmo observou, racismo é estrutural tá no dia-a-dia e quanto mais perpetuam o absurdo, pior é! Parabéns pela pauta! 😉

    Curtido por 3 pessoas

    1. Exato. Existe um movimento de educar os mais jovens sobre o absurdo do preconceito, mas ao mesmo tempo posições como a de Júlio também crescem na sociedade. Os extremos crescem rapidamente, e isso é bem perigoso.
      Obrigado pelo comentário.
      Abraço.

      Curtido por 1 pessoa

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