Brenda Moura · indicação · Livros · Resenhas

O apanhador no campo de centeio (1951)

Olá gente, tudo bem?

Hoje falarei de um livro muito legal que li esse ano: O Apanhador no Campo de Centeio”!

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O livro narra um fim de semana na vida de Holden Caulfield, um jovem de dezessete anos vindo de uma família abastada de Nova Iorque. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, o Colégio Pencey, volta para casa mais cedo no inverno, depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso da escola. No regresso para casa, decide fazer um périplo, adiando, assim, o confronto com a família.

Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassando sua peculiar visão do mundo e tentando definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si, como um professor, uma antiga namorada, sua irmãzinha, e, junto a eles, tenta explicar e inclusive entender a confusão que passa pela sua cabeça.

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Esse livro é simplesmente incrível em todos os aspectos. Quando comecei a ler, fiquei meio pensativa, achando que seria apenas um livro sobre um garoto de 17 anos, mimado, que foi expulso de várias escolas, simplesmente por não se adaptar.

Mas, conforme a leitura foi ocorrendo, percebi que o livro é muito mais do que isso.

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Nós temos o livro todo baseado na visão de Holden Caulfield. O que mais me chama a atenção é que não é apenas um livro narrado em primeira pessoa, mas sim, um livro narrado em primeira pessoa com todos os pensamentos desse jovem de 17 anos.

Conhecemos seus trejeitos, sua linguagem com várias gírias e expressões, que eram comuns entre as décadas de 40 e 50 (que foi a época em que o livro foi escrito), sua forma muito pessoal e até subjetiva de ver a vida, enfim… O texto vai fluindo de um jeito muito natural, com os pensamentos de Holden, sem nada forçado.

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Como eu disse acima, eu achava que o Holden era muito mimadinho, mas com o passar da história e ele vai nos contando o modo como vê as coisas, percebe-se que ele é um garoto muito sensível, extremamente inteligente e um tanto quanto inocente, apesar de rebelde. Mas o mais importante em sua personalidade é: ele vê o mundo de um jeito único.

Ele capta os detalhes das pessoas com quem convive, e isso o irrita profundamente, pois ele percebe o quanto as pessoas podem ser hipócritas e vazias. Ele começa a questionar a vida, e pensar que ela é uma grande farsa, por não haver um sentido específico nela.

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Holden, no fim das contas, se mostra um garoto solitário, e muitas vezes incompreendido, simplesmente por não conseguir e não querer se integrar à sociedade na qual ele vive. Uma parte muito interessante do livro é quando Holden é questionado por sua irmã Phoebe sobre o que ele gosta ou o que ele gostaria de ser, já que ele só reclama de tudo.

Ele, então, diz que gostaria de ser um “apanhador” em meio às crianças que brincavam num campo de centeio sem perceber que ele terminava à beira de um abismo. Sua função no mundo seria apanhar as crianças que se aproximassem demais do abismo, impedindo que elas caíssem.

Talvez esse seja o verdadeiro sentido do livro: nos salvar do abismo em que a sociedade humana se transformou, ficando no vazio e esquecendo o que realmente importa.

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Então, o que me resta dizer sobre essa leitura é: Holden Caulfield é um adolescente de carne e osso, com princípios e defeitos como qualquer outro com sua idade. Ele nos mostra seus dois lados verdadeiramente: o lado inocente e o lado mais rebelde. Mas aí nos sobra uma pergunta: porque o Holden simplesmente não se encaixa na sociedade? É por conta de sua rebeldia, ou há alguma coisa a mais?

E a resposta é extremamente simples: ele consegue perceber que a sociedade a sua volta é fria, cega e presa a coisas que os mantém num nível aceitável de sociabilidade, apenas aparentando que são felizes, quando na verdade, por trás de suas máscaras, são pessoas tão insatisfeitas quanto o próprio Holden. Todos que seguem as regras dessa sociedade superficial, caem tanto nisso que acabam sendo exatamente o que Holden vê: pessoas vazias.

E uma coisa mais interessante ainda, que me fez gostar mais do Holden é: ele reclama de tudo e todos, mas tem pequenos detalhes, que só ele percebe e que o agradam enquanto pessoa. Detalhes simples, coisas pequenas, mas que fazem a diferença para ele.

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Enfim, se vocês buscam um livro com uma história muito interessante e que te faz refletir sobre vários aspectos da vida, recomendo e MUITO a leitura dessa obra. O livro tem diversos pontos de vista, mas tudo depende de quem lê.

Espero que vocês tenham gostado.
Um grande beijo e até a próxima!

selo-brenda-moura


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Fontes:  Wikipedia; Nota Terapia; Blog do Sócio

7 comentários em “O apanhador no campo de centeio (1951)

  1. Gostaria de deixar aki uma indicação singular para quem deseja saber + sobre a vida de J. D. Salinger:

    Foi lançado em julho de 2018, um filme do diretor Danny Strong (seu 1º filme nesta função) e denominado como “O Rebelde no campo de centeio – A vida de J. D. Salinger”. Mostra tudo sobre como foi sua vida [final da adolescência] antes de começar seu misterioso período de reclusão até o falecimento em dezembro de 2010.

    Elenco: Nicholas Hoult, Zoey Deusch, Kevin Spacey, Hope Davis, etc.

    Recomendo e disponham !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Tchau …

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  2. Faz uns anos que li esse livro e agora queria reler. Lembro de ter mudado de opinião sobre ele no meio da leitura. Estava bem irritado com a narrativa, que parecia sair da boca de um adolescente, não de um dos autores mais aclamados do século passado. Aí eu me dei conta: é pra ser adolescente, é pra ser irritante; o personagem não é um autor de 40, é um menino de 16/17. Parece óbvio, mas na época eu ainda não tinha visto o quanto a escrita se relaciona com a atuação. Sei de poucos autores que entrem tão bem na cabeça de um personagem e, ao mesmo tempo, não recorram ao autobiográfico.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Quando eu comecei a ler, fiquei com essa mesma impressão, mas no decorrer do livro, me impressionei com a capacidade do autor em transmitir os pensamentos desse jovem e acabei amando a leitura.

      Curtido por 1 pessoa

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