Brenda Moura · Cultura · Filmes · Livros · Reflexão

Para Sempre Alice

Olá gente, tudo bem com vocês? Após minha última postagem, que foi sem indicações, como eu normalmente costumo fazer, voltarei com uma indicação ótima, de um livro que virou filme e rendeu o Oscar para minha diva maravilhosa Julianne Moore: Para Sempre Alice!

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Para Sempre Alice nos conta a história da Dra. Alice Howland, uma mulher na faixa dos 50 anos, professora titular de Psicologia Cognitiva da Universidade de Harvard e extremamente bem-sucedida. E vamos conhecendo o lado íntimo da personagem, então logo no início do livro, já sabemos que ela é casada, mãe de três filhos, e acredita ter a vida que sempre sonhou. Mas um fato, faz com que sua vida mude drasticamente, da noite para o dia.

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Alice começa a esquecer algumas pequenas coisas, como “onde deixei as chaves do carro?” e “por que anotei este nome na minha lista de afazeres?(ela é super organizada com suas coisas, e tem essa lista de afazeres por ser extremamente ocupada e precisar organizar seu dia). Ela não dá muita importância a esses esquecimentos. Mas um dia, ela esquece uma coisa que seria impossível de ser esquecida: o caminho para sua casa. Ela sempre faz o mesmo caminho todos os dias, e nunca havia se perdido. E é nesse dia que ela percebe que tem algo errado. Os esquecimentos começam a se tornar cada vez mais frequentes e por isso, ela resolve procurar ajuda médica. E o diagnóstico que ela recebe, a deixa profundamente transtornada: ela tem Alzheimer de instalação precoce.

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Então, o livro começa a nos mostrar tudo após o diagnóstico. Como ela conta para o marido e filhos que ela possui a doença, que os filhos podem ter essa doença, como ela decide sair do trabalho, que era uma das coisas que ela mais amava fazer, por simplesmente não se lembrar do que acontece e de tudo que ela juntou de conhecimentos durante sua vida. Nós começamos a nos colocar no lugar de Alice, começamos a sentir o seu sofrimento por simplesmente não fazer as coisas que ama.

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A Lisa Genova, autora do livro, é ph.D em neurociência pela Universidade de Harvard. E como ela tem muito conhecimento nesse assunto, nos mostra um lado muito científico da doença – mostrando quais são os tratamentos existentes, como este mal vai afetando o cérebro (e o porquê disso), além de disponibilizar o nome de diversos medicamentos utilizados. Mas ela faz isso de uma forma muito simples, e até para quem não sabe sobre a doença, se torna muito fácil de entender o que acontece.

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Esse livro me deu um grande aperto no coração quando acabei de ler (ainda mais pelo fato de que eu já havia assistido ao filme antes e sabia como seria o desenrolar da história), pois vendo Alice daquele jeito, foi impossível não se sentir triste. Ver ela sem poder fazer o que ama, sentindo-se sozinha e um fardo para sua família, nos dá um aperto no peito. Mas tirei muitas coisas boas do livro também, como por exemplo, ela descobre que tem outras pessoas que sofrem desse mesmo mal e elas se juntam, para contar suas experiências e um entende o outro. E a família dela dá todo o suporte necessário para que ela fique bem, mesmo com os atritos e com a novidade para todos, eles ainda sim se preocuparam com ela. E é lindo que mesmo com a doença, ela continua usando as palavras como ninguém, inclusive em um discurso que ela faz em público em uma conferência, seu último discurso (pouco antes de perder quase totalmente sua memória):

“Nós, nos primeiros estágios da doença de Alzheimer, ainda não somos completamente incompetentes. Não somos desprovidos de linguagem nem de opiniões importantes, nem de períodos extensos de lucidez. Mas já não temos competência suficiente para que nos sejam confiadas muitas demandas e responsabilidades de nossa vida anterior. Temos a sensação de não estar nem cá nem lá, como um personagem numa terra bizarra. É um lugar muito solitário e frustrante para se estar (…) E não tenho nenhum controle sobre os ‘ontens’ que conservo e os que são apagados. Não há como negociar com esta doença. Não posso oferecer a ela os nomes dos presidentes dos Estados Unidos em troca dos nomes dos meus filhos. Não posso lhe dar os nomes das capitais dos estados e conservar as lembranças de meu marido (…) meus ‘ontens’ estão desaparecendo e meus amanhãs são incertos. Então, para que eu vivo? Vivo para cada dia. Vivo o presente. Num amanhã próximo, esquecerei que estive aqui diante de vocês e que fiz este discurso. Mas o simples fato de eu vir a esquecê-lo num amanhã qualquer não significa que hoje eu não tenha vivido cada segundo dele. Esquecerei o hoje, mas isso não significa que o hoje não tem importância.”

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Enfim, deixo a dica tanto do livro quanto do filme, pois a Julianne Moore fez uma atuação impecável e o filme é extremamente parecido com o livro e é tão bom quanto.
Espero que vocês tenham gostado e até a próxima segunda!!

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Fonte: BrasilPost 

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8 comentários em “Para Sempre Alice

  1. Li esse livro antes de virar filme, e solucei entre as páginas. Tive uma amiga muito querida que sofreu todos os estágios dessa doença. E me lembro de ouvi-la dizer, não vou esperar até virar um carro desgovernado. E vieram padres, pessoas e toda aquela bobagem sobe vida e morte, crime. Uma covardia para quem está com medo do dia seguinte. Lembro que ao visitá-la, a mulher que vivia com ela segurava as mãos dela e lhe disse, faça o que for preciso, eu estarei aqui com você. Me lembrei disso durante o momento em que a personagem tenta cometer o suicido na trama, mas para ela é tarde demais.
    Eu vi o filme depois, adoro a Moore em cena, mas não me tocou tanto quanto o livro, embora tenha me emocionado no final.
    Bacio

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